O Café Depois da Noite Escura: Quando a paz Finalmente Chega
- Giovane Franco Terapeuta
- 1 de fev.
- 3 min de leitura

A Pura Metamorfose do Olhar
Houve um momento em que eu pedi, quase implorei, para que fosse diferente. Eu dizia a mim mesmo que não poderia aguentar o peso do que estava sentindo e tentei decidir por outras rotas, trajetos mais fáceis. Mas a verdade tem um jeito próprio de se impor. Quando ela finalmente apareceu, não houve como negar.
Estar diante de mim mesmo, sem filtros, me transformou. É o que chamo de pura metamorfose. Todo o trabalho silencioso que fiz tentando ajustar minhas versões para me encaixar finalmente me trouxe a uma luz no fim do túnel: a paz de entender que meu funcionamento é apenas singular.
Sim, eu sinto, escuto e percebo o mundo em uma frequência que não é a mesma que a sua. Sou diferente de você na forma de processar a vida, mas, exatamente como você, descobri que esse meu jeito único também é um superpoder. No fim das contas, precisei admitir algo doloroso: por muito tempo, eu tenho estado longe de mim.
Sentar-se com a Tristeza
Na sabedoria intensa da alma, não existe controle e muito menos obrigações. Existe apenas o que é.
Hoje, eu escolho dar descanso às cobranças. Eu sento ao lado da minha tristeza, estendo uma mão amiga sem forçar nada, abro um lugar para ela e digo que ela é bem-vinda para existir. Então, em silêncio, ela olha para mim e diz o que precisa dizer. É poético para quem lê, mas é difícil para quem sente essa intensidade toda.
Como ser tão profundo em um mundo que exacerba a superficialidade? Por muito tempo, achei que eu não fosse para esse lugar, que eu era um estrangeiro aqui. Hoje, entendo que estou exatamente onde deveria estar: no espaço onde deixo minhas palavras existirem, mesmo correndo o risco de elas se rebelarem contra o vazio de quem não quer sentir.
A Jornada Através dos Véus
O que eu procuro estava bem na minha frente, mas eu não conseguia ver. Existiam véus — o medo de ser julgado, a vaidade de querer ser "normal". E é justamente através deles, no ciclo incessante de apego e desapego, renascimento e morte, que eu tenho me encontrado.
No meio da noite escura da alma, a beleza surge da profunda escuridão. A liberdade aparece como um horizonte que se abre quando finalmente conseguimos respirar o ar puro que, antes, sufocava por ser denso demais. Mas como pode haver beleza na escuridão se tememos terrivelmente a morte?
O Perdão e o Café
A resposta não vem em teorias, mas no silêncio que resta depois da tempestade. Resta o gesto mais simples: sentar e esperar o dia amanhecer. Tomar um café e encontrar a própria voz dentro do perdão por tantas escolhas passadas, quando eu ainda não sabia ouvir meu próprio interior.
Será que eu realmente vejo agora? Não tenho certeza de nada, mas sinto essa verdade me tocar como o sol pela manhã. É uma melodia especial, sabedoria das almas milenares que chega como um perfume antigo trazido pelo vento. Um segredo que se revela no silêncio do agora e deixa na alma o gosto doce da liberdade: eu não estava quebrado; eu era apenas um acorde em uma frequência que eu ainda não podia ouvir.
Então, eu apenas tomo o meu café e deixo ir o que preciso ser, para finalmente me tornar gente. É um estado novo. É, enfim, estar em casa dentro de mim mesmo.



Quanta sensibilidade! ❤️
Me identifiquei muito! Um mix de sentimentos, foi lindo ler isso!